distorção cognitiva

Culpabilização

Isso não é um diagnóstico nem um traço de personalidade. Se você se reconhecer aqui, é um convite para considerar com cuidado outras explicações, e não se rotular.

O que é

Toda a responsabilidade pelo próprio estado ou pelo resultado é atribuída a outra pessoa, sem considerar escolhas pessoais e circunstâncias.

Como surge e se mantém

Tirar a responsabilidade de si mesmo é uma forma de se defender da culpa e da vergonha. A distorção surge quando a parte própria desaparece inteiramente e todo o peso recai sobre o outro. É sustentada por experiências em que os erros eram punidos em vez de analisados, e pelo hábito de explicar o próprio estado por causas externas.

Como pode aparecer

  • «Por sua causa, meu dia inteiro foi arruinado.»
  • «Não fiz nada porque ninguém me motivou.»

Sinais suaves em você

  • As explicações costumam soar como «é por culpa dele/dela».
  • As próprias ações e escolhas não são mencionadas.
  • É difícil nomear a própria parte mesmo numa pequena proporção.
  • O ressentimento substitui a análise da situação.

Perguntas para um diálogo socrático

  1. Que parte da situação dependia de mim?
  2. O que eu poderia ter feito de outro jeito, mesmo que a outra pessoa realmente tivesse culpa?
  3. O que mudaria se eu aceitasse a minha parte sem me desvalorizar?
  4. Que ação está ao meu alcance agora, independentemente do outro?

Exercício por sua conta

Encontrar a própria parte sem se desvalorizar

  1. Anote a situação e o que você atribui ao outro.
  2. Descreva separadamente o que dependia de você, sem se julgar.
  3. Formule um pensamento que considere tanto a parte do outro quanto a sua.
  4. Ao longo do dia, note «é por culpa dele» e acrescente «e algo é meu».

Crenças profundas às quais pode estar ligado

  • ««Se eu reconhecer a minha parte, então sou culpado por tudo».»
  • ««Os outros são mais fortes que eu e determinam o meu estado».»
  • ««Meus sentimentos são consequência das ações dos outros».»
  • ««Sem ressentimento eu ficaria indefeso».»